Se você trabalha com marketing digital, provavelmente sentiu a mudança no ar nos últimos anos. Primeiro, veio a promessa de que a Inteligência Artificial resolveria todos os nossos problemas, gerando textos, imagens e vídeos em escala industrial. Depois, veio a ressaca. Em 2026, estamos navegando por um mar de conteúdo sintético, polido e absolutamente sem alma.
O público, exausto de interagir com robôs e algoritmos que priorizam o lucro sobre a utilidade, desenvolveu um novo tipo de “cegueira”: ignoramos o que parece perfeito demais. É neste cenário de saturação que surge o movimento Unshittification.
O termo, uma resposta direta ao conceito de “Enshittification” (cunhado pelo escritor Cory Doctorow para descrever como as plataformas digitais pioram gradualmente para seus usuários em busca de monetização), representa a retomada da qualidade real. Para marcas e gestores de social media, isso significa um retorno radical ao humano.
O Que é o Movimento Unshittification na Prática?
Durante a última década, a lógica das redes sociais foi ditar o que deveríamos consumir. O algoritmo premiava o clickbait, a polêmica vazia e a retenção forçada. O resultado foi uma internet “piorada”, onde encontrar uma resposta honesta se tornou uma missão impossível em meio a anúncios e textos otimizados apenas para SEO mecânico.

O Unshittification é o freio de arrumação. Na prática, ele propõe a “despiorização” da internet. Para as marcas, isso significa parar de criar conteúdo para agradar o robô do Google ou do TikTok e voltar a criar conteúdo que resolva, de fato, o problema de uma pessoa real.
Não se trata mais de hackear a atenção do usuário por 3 segundos, mas de conquistar a confiança dele por 3 anos. Em 2026, ser útil vence ser viral.
Mas essa mudança de mentalidade não afeta apenas o “o quê” postamos; ela transforma radicalmente o “como” postamos. Se a utilidade e a verdade são as novas regras, a estética visual precisa refletir essa realidade, abandonando o plástico pelo orgânico.
A Nova Estética da Criação de Conteúdo
Para o profissional de marketing acostumado com a “estética do Instagram” dos anos 2010 — com seus filtros pastéis, mesas de mármore e poses milimetricamente calculadas —, a nova onda pode parecer amadora. Mas não se engane: a estética lo-fi (baixa fidelidade) é uma escolha estratégica de design.

Hoje, a imperfeição no conteúdo serve como o selo de autenticidade humana, um indicativo de que não foi gerado por IA… por enquanto. Vídeos tremidos, áudios com ruído ambiente, fotos sem tratamento excessivo e cenários que mostram a bagunça do dia a dia não são sinais de desleixo; são provas de vida.
Por que o “feio” engaja mais?
O cérebro do consumidor de 2026 foi treinado para desconfiar da perfeição. Quando vemos uma imagem hiper-realista gerada por IA, sentimos o “vale da estranheza” (uncanny valley). É bonito, mas nos causa repulsa inconsciente porque sabemos que é falso.
Por outro lado, quando uma marca publica um vídeo de bastidores onde algo dá errado, ou onde o CEO fala gaguejando um pouco, mas com paixão, o cérebro relaxa. “Isso é real”, pensamos. E onde há realidade, há confiança. A rejeição à “perfeição plástica” não é apenas uma tendência visual, é um grito por conexão genuína em um mundo cada vez mais sintético.
No entanto, adotar uma estética mais crua vai muito além de uma escolha visual. É uma declaração de princípios. Ao baixar a guarda da perfeição inalcançável, sua marca ganha algo que dinheiro nenhum compra no mercado atual: capital social e confiança.
Autenticidade como Moeda de Troca
Se a atenção era o petróleo do século XXI, a autenticidade é o ouro de 2026. Em um mercado onde qualquer concorrente pode gerar 100 posts por dia usando IA, o que diferencia a sua marca? A resposta é a sua vulnerabilidade.
Marcas que assumem erros, que mostram os desafios da produção e que têm uma “voz” que não soa como um comunicado de imprensa estão construindo comunidades blindadas. A autenticidade deixou de ser um valor abstrato para se tornar um diferencial competitivo mensurável.

O consumidor prefere comprar de quem ele sente que conhece. E ninguém conhece de verdade alguém que é perfeito o tempo todo. A “despiorização” do marketing envolve admitir que seu produto não é para todo mundo, que sua empresa tem dias ruins e que, por trás da logo, existem pessoas tentando fazer o seu melhor. Isso gera empatia, e empatia gera conversão.
Como Aplicar Isso na Sua Estratégia?
Para o profissional que tem medo de parecer amador, a dica é: o amadorismo estratégico é diferente do desleixo.
- Fale como gente: Abandone o “juridiquês” ou o “corporativês”. Se o seu post soa como algo que poderia ter sido escrito pelo ChatGPT, reescreva. Coloque gírias, emoção, opinião.
- Mostre os bastidores sem filtro: Não arrume a mesa antes de tirar a foto. Mostre a caixa de pizza no canto da reunião de brainstorming. Isso humaniza a equipe.
- Foque na utilidade real: Antes de postar, pergunte-se: “Isso ajuda meu cliente ou só alimenta o algoritmo?”. Se a resposta for a segunda, não poste. O movimento Unshittification exige respeito pelo tempo do usuário.
O pêndulo da história oscilou. Depois de anos correndo atrás da otimização máxima e da perfeição algorítmica, o mercado percebeu que quebrou a internet. O movimento Unshittification é o resgate da qualidade e da verdade.
Para 2026, o conselho é claro: seja menos perfeito para ser mais lucrativo. Abrace o caos, a falha e a humanidade. Em um mundo de robôs, ser humano é o maior luxo que sua marca pode oferecer.
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Perguntas Frequentes
O que é o movimento Unshittification no marketing digital?
Unshittification é o movimento que propõe a retomada da qualidade, utilidade e autenticidade no marketing digital, em oposição à produção massiva de conteúdo superficial, automatizado e focado apenas em algoritmos.
Por que o público rejeita conteúdos perfeitos demais em 2026?
Porque o excesso de conteúdos gerados por IA criou desconfiança. O cérebro associa perfeição extrema a algo artificial, enquanto conteúdos mais crus e imperfeitos sinalizam presença humana e geram confiança.
O que caracteriza a estética lo-fi no marketing de conteúdo?
A estética lo-fi valoriza vídeos tremidos, bastidores reais, áudios com ruído ambiente e imagens pouco editadas. A imperfeição funciona como um selo de autenticidade em um ambiente saturado por conteúdo sintético.
Ser autêntico realmente gera mais resultados no marketing?
Sim. Em 2026, autenticidade se tornou um diferencial competitivo mensurável. Marcas que mostram vulnerabilidade, opinião e humanidade constroem mais confiança, engajamento e conversão no longo prazo.
Como aplicar o Unshittification na estratégia de marketing?
Falando como pessoas reais, mostrando bastidores sem filtro e priorizando conteúdo útil em vez de posts feitos apenas para agradar algoritmos. A estratégia é trocar viralização rápida por confiança duradoura.




